Bancos diminuem projeções para a economia por efeito coronavírus: qual o impacto para o PIB do Brasil?

SÃO PAULO – Grande “cisne negro” deste início de 2020, o coronavírus bateu forte no mercado, derrubando as bolsas mundo afora quando começaram a eclodir os casos. Com mais de 24 mil pessoas contaminadas e 490 mortos, o vírus causa temores de uma pandemia que teria impactos nefastos na economia da China especificamente, e do mundo como um todo por reflexo diante do tamanho e importância do país no comércio global.

Os analistas do Morgan Stanley preveem que o impacto no crescimento global virá do desaquecimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China. As consequências mais óbvias de uma China mais fechada e com uma atividade econômica menor são a redução do volume de comércio exterior realizado com o país e uma brusca retração no turismo. Vale lembrar que 7% de todos os fluxos internacionais de turistas são de chineses para outros países ou de viajantes para a China.

Para os analistas Edward Teather e William Deng, do UBS, o PIB chinês deve se expandir 5,4% em 2020, uma revisão para baixo em relação aos 6% esperados anteriormente.

“A demanda doméstica da China, em particular o consumo, deve ser afetada, e isso deve impactar as tendências globais no resto do mundo por meio de uma desaceleração nas importações chinesas”, destacam os analistas Chetan Ahya, Derrick Kam, Nora Wassermann, Frank Zhao, do Morgan Stanley.

A oferta também seria afetada, uma vez que a produção das empresas chinesas está parada. As grandes indústrias e companhias do país estão proibidas de retomarem atividades até o dia 10.

Em meio a esse cenário, os economistas também se debruçam sobre o impacto para a atividade brasileira, que ainda está em lenta recuperação. Diversos bancos revisaram nesta semana a projeção para a economia nacional levando em conta os efeitos da doença, já que o gigante asiático é o principal parceiro comercial do Brasil e também exerce grande influência sobre os preços das commodities.

Com isso, o banco suíço UBS reduziu a sua estimativa para o crescimento do PIB brasileiro de 2,5% para 2,1% em 2020. O BNP Paribas, por sua vez, apesar de não revisar propriamente as estimativas para a economia, apontou que há um “viés de baixa” para não haver o crescimento de 2% como previa anteriormente. Para eles, os setores de agricultura e de agroindústria podem ser mais impactados pelo canal direto, via preços de commodities, afetando a margem do setor como um todo.

Nesta quarta, o Bank of America reduziu a projeção de 2,4% para 2,2% no ano levando em conta, além da desaceleração da China, os dados de atividade do Brasil, que apresentam “sinais mistos” (como foi o caso da produção industrial abaixo do esperado de dezembro).

A consultoria macroeconômica Pantheon Macroeconomics, por sua vez, cortou a previsão para o PIB deste ano de 2,2% para 2,1% olhando principalmente para os dados da economia nacional, apontando que o efeito do coronavírus sobre a economia brasileira ainda carece de informações. “O vírus pode prejudicar o crescimento do PIB no 1º trimestre, mas serão necessários os indicadores de fevereiro para se traçar
um cenário claro”, apontou o economista-sênior para área Internacional da Pantheon, Andres Abadia, para a Bloomberg.

Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, afirmou que o efeito mais óbvio para a economia brasileira se dará via balança comercial do primeiro trimestre, que vai sofrer com a queda nos preços das commodities. Contudo, Campos Neto não acredita em transmissão direta para o PIB de 2020, vendo impactos mais localizados e concentrados no primeiro trimestre.

 
 

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